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Uma salva de palmas: 10 lugares onde o pôr do sol merece aplausos

Ana Reyes
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O sol nasce (e se põe) para todos. Mas para nós, viajantes, o astro rei é ainda mais importante e costuma nos presentear com momentos inesquecíveis, principalmente no fim da tarde. Claro que o nascer do sol também é lindo, mas acordar às 5h da manhã, principalmente durante as férias, pode ser um pouco cansativo – a experiência realmente não entra com frequência nos meus roteiros! Já o pôr do sol, esse costuma ter protagonismo na hora de definirmos a programação do dia. Pensando nisso, resolvi elencar 10 lugares onde vivenciar esse momento foi uma atração à parte, com dicas para quem quiser incluir as experiências em suas próximas idas para mundo.

#! Praia de Ipanema, Rio de Janeiro (Brasil)

No Rio de Janeiro, onde nasci, o momento em que o sol desaparece no horizonte costuma ser acompanhado de uma salva de palmas, e eu tenho feito isso nas minhas viagens (ainda que muitas vezes pareça uma maluca batendo palmas sozinha). Das suas muitas montanhas, a cidade maravilhosa oferece diversas opções deslumbrantes de pôr do sol, mas o mais clássico, que quem visita a capital fluminense não pode deixar de admirar, é o entardecer na Praia de Ipanema, com o sol se pondo atrás do Morro Dois Irmãos (ou no mar, dependendo da época). É para fotografar e aplaudir!

#1 Salar de Uyuni (Bolívia)

Deixando o bairrismo de lado, no topo da minha lista, liderando com folga, está o pôr do sol no Salar de Uyuni, na Bolívia. Localizado a mais de 3.500 metros de altura, o imenso deserto de sal pode te oferecer duas paisagens diferentes, dependendo da época do ano em que você o visite. Durante as chuvas, de dezembro a março, você tem a chance de encontrá-lo alagado, formando um espelho incrível do céu. O que significa um pôr do sol em dobro, num mar de nuvens e luzes impressionante.

Nas partes secas, a graça é aproveitar a imensidão de sal para fazer fotos e vídeos em perspectiva. Nós atravessamos o salar partindo da cidade boliviana de Uyuni e depois seguimos para o Atacama, no Chile. A travessia dura dois dias e meio, saindo da agência às 11h da manhã.

Fechamos o pacote com a Red Planet Expedition no valor de 210 dólares por pessoa, o que incluia transporte, guia, todas as refeições e a hospedagem em duas noites – uma em um hotel de sal (bem confortável) e outra mais “roots”, com saco de dormir e sem possibilidade de tomar banho quente (em meio a temperaturas negativas).

#2 Mont Saint Michel (França)

Localizado na fronteira entre a Bretanha e a Normandia, o vilarejo medieval francês foi palco de um dos mais incríveis fins de tarde que já presenciei. No verão, o anoitecer acontece perto das 23h. E o pôr do sol é acompanhado pelo movimento das marés, consideradas as maiores da Europa.

Assim, enquanto a noite vai caindo, toda a grande extensão de areia em volta do monte vai sendo tomada pelas águas rapidamente. Dependendo da época do ano, a diferença entre as marés baixa e alta pode chegar a 15 metros e deixar a baía completamente alagada, transformando o vilarejo em uma ilha. Para presenciar o fenômeno, é preciso consultar a tábua das marés do Mont Saint Michel antes de viajar e estar atento ao horário exato do retorno das águas.

Além desse espetáculo, a estrutura murada abriga uma cidadela medieval super charmosa, com ruelas, casas e restaurantes, um mosteiro e uma abadia. Ao longo do dia, quando a baía está seca, é possível também passear pela areia (mas para isso recomenda-se um guia). Para chegar lá, saindo de Paris, pegamos um trem e um ônibus pela manhã e retornamos no dia seguinte.

#3 Tapajós e Amazonas (Brasil)

Pôr do sol no Rio Tapajós

Todos os dias em que vi o sol sumir sob as águas dos rios amazônicos foram inesquecíveis, e por sorte pude presenciar o momento muitas vezes nas minhas últimas férias. O destaque fica por conta do Alter do Chão, no Pará. Banhado pelas águas cristalinas do Rio Tapajós, o lugar conta com diversas praias de água doce, mesmo em julho, no início da vazante. Não à toa é conhecido como o caribe amazônico. Vimos o pôr do sol na praia das Castanheiras, em frente à Ilha do Amor.

Descendo o Rio Amazonas em direção a Santarém

Para chegar ao Alter do Chão, pegamos um ônibus de linha em Santarém. O percurso leva cerca de 1 hora. Já para ir até Santarém, você pode escolher entre avião ou barco, saindo de Belém ou de Manaus. Nós optamos pela viagem de barco, descendo o Rio Amazonas por dois dias, desde Manaus. Seja de cabine (cerca de R$ 600), seja de rede (R$ 130 + a rede), é sem dúvida uma experiência única, complementada pelo espetáculo do sol.

#4 Lion’s Head (África do Sul)

Se você gosta de trilha e for visitar Cape Town, na África do Sul, não deixe de incluir no roteiro a subida à Lion’s Head no fim da tarde. Além de ver o sol mergulhar no Oceano Atlântico, lá do alto é possível ter uma vista completa da cidade, com destaque para Camps Bay e a montanha dos 12 apóstolos, o Green Point – um dos estádios que sediaram jogos da Copa de 2010 – e a Robben Island, ilha onde Nelson Mandela ficou preso por 18 anos. O pico ainda fica de frente para a Table Mountain, a Montanha da Mesa, um dos principais pontos turísticos de Cape Town.

No dia que subimos, havia muitas nuvens no topo das montanhas, o que tornou o cenário ainda mais impressionante. A trilha, contudo, não é muito fácil. São cerca de 600 metros de subida, bem íngremes no final, com ventos que quase nos derrubaram. Levamos cerca de 1h20 para chegar ao topo, e descer depois que já estava escurecendo foi ligeiramente desesperador.

#5 Punta del Este e Montevideo (Uruguai)

“Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez. Casapueblo es tu casa, por eso todos la llaman la casa del sol. El sol de mi vida de artista. El sol de mi soledad. Es que me siento millonario en soles, que guardo en la alcancía del horizonte”. Assim termina o poema de Carlos Páez Vilaró, declamado enquanto o sol de põe nas águas do Rio da Prata. A Cerimônia do Sol acontece na Casapueblo, antiga casa de verão do artista plástico uruguaio, que abriga hoje um hotel e um museu. A experiência foi sem dúvida um dos pores do sol mais emocionantes que já testemunhei.

Vale ressaltar, no entanto, que, dependendo da época, o mirante para apreciar a cerimônia fica bem cheio, e para assisti-la é preciso pagar a entrada do museu, que custa cerca de R$ 30. A casa fica na verdade em Punta Bajena, a 15km de Punta del Este, e foi projetada pelo próprio Vilaró.

Mas pra quem preferir um programa gratuito, também não faltam opções. Em janeiro, o cair do sol no Rio da Prata nos deixou sempre admirados. Em Punta del Este, destaco a vista do alto, de La Barra, com os prédios ao fundo (ainda mais se você parar para tomar um Fredo). E em Montevideo, da Rambla, o visual também é de tirar o fôlego.

Punta del Este

Montevideu

#6 Istambul (Turquia)

A capital cultural da Turquia é a cidade das mesquitas. Grandes, pequenas, antigas, modernas, turísticas ou nem tanto, elas estão por toda parte. E se o mar de minaretes já impressiona durante o dia, com o sol se pondo ao fundo, o visual é marcante. Nosso ângulo foi da Ponte de Gálata, que fica sempre lotada de gente, fotografando ou pescando, com direito a muitas gaivotas para completar o cenário.

#7 Santorini (Grécia)

A ilha grega no mar Egeu tem um dos pores do sol mais famosos do mundo. Perto do fim da tarde, a multidão se aglomera nas ruelas da Vila de Oia para ver o espetáculo. De lá, se vê as igrejinhas com os tetos pintados de azul e os moinhos, em meio às construções brancas sobre o penhasco que se estende sobre o mar, diante da caldeira do vulcão. Recomendo chegar cedo para garantir um lugar, pois os espaços são disputados. Quem for ficar em Fira, como nós, pode chegar a Oia de ônibus, ou então alugar um carro ou um quadriciclo.

#8 Chapada Diamantina e Salvador, Bahia (Brasil)

Com cerca de 1.100 metros de altura, o morro do Pai Inácio oferece a mais bela vista panorâmica da Chapada Diamantina, principalmente ao pôr do sol. A subida, apesar de íngreme, não é difícil de ser concluída (e este ano ganhou escadarias para facilitar o acesso). O cartão-postal fica na cidade de Palmeiras, a 22 km de Lençóis, onde estávamos hospedados, e é acessado pela BR-242.

Nós contratamos um guia, que nos acompanhou durante cinco dias de passeio pelas principais trilhas da Chapada. A subida ao Pai Inácio fechou com chave de ouro o primeiro dia de visita, quando conhecemos a cachoeira do Poço do Diabo, a gruta da Lapa Doce e a gruta da Pratinha.

Ainda na Bahia, já que passar por Salvador é quase obrigatório para quem pretende chegar em Lençóis de ônibus ou de carro, #ficaadica para o pôr do sol do Farol da Barra.

Clique nas fotos abaixo para aumentar.

#9 Campos do Jordão, São Paulo (Brasil)

No frio congelante de Campos do Jordão, em julho, se despedir do sol não é uma experiência fácil. Mas, diante do visual oferecido pelo Museu Felícia Leirner, a gente abre uma exceção. O espaço reúne 85 obras da artista polonesa, que viveu muitos anos no Brasil. As peças de bronze, cimento branco e granito estão distribuídas pelo jardim e do ponto mais alto se tem uma vista linda das araucárias e das montanhas ao redor. No dia que visitamos, o cair do sol foi acompanhado de uma cerimônia, com danças, malabarismo e poesias.

#10 Roma (Itália)

O colossal monumento branco a Vittorio Emanuelle II foge bastante da arquitetura clássica de Roma. Não à toa foi muito criticado desde sua construção e depois apelidado de “bolo de noiva” ou “máquina de escrever”. Mas gostando ou não do edifício, não deixe de subir ao terraço para admirar o pôr do sol. De lá, é possível ver a maior parte dos monumentos históricos romanos, como o Coliseu, o Fórum e a Basílica de São Pedro. O preço do elevador para subir é um pouco salgado (custava 7 euros em 2016), mas a experiência compensa.

Era melhor ter ido ver o filme do Pelé…

Se o pôr do sol está sempre na lista de atrações a conhecer, às vezes a experiência não sai exatamente como o esperado. Claro que não dá para sempre esperar aquele fechamento com São Pedro, mas, para além das nuvens que podem atrapalhar o momento, alguns lugares deixam a desejar mesmo em dias claros. Das principais frustações que já tive, destaco duas:

Sky Costanera, Santiago (Chile)

Com 62 andares, o maior edifício da América Latina teria tudo para oferecer uma vista deslumbrante do pôr do sol. Contudo, os vidros que cercam o mirante são imundos e atrapalham bastante na hora das fotos. Além disso, a capital chilena tem uma mancha constante de poluição no horizonte, em decorrência da cordilheira dos Andes, uma névoa que também dificulta a identificação dos pontos da cidade à distância. Soma-se a isso o preço abusivo do elevador do edifício: mais de R$ 80 (em janeiro de 2018). A sugestão é aproveitar o entardecer do alto do Cerro San Cristóbal, que pode ser acessado de teleférico ou de graça pra quem subir a pé.

Lago de Itaipu, Foz do Iguaçu (Brasil)

Fizemos o passeio de Kattamaram pelas águas do lago de Itaipu no fim da tarde, para ver o pôr do sol. Os barcos que levam ao reservatório saem de 1h em 1h, a partir de 10h30, mas o ingresso para o último horário é mais caro que os demais. Por fim, foram R$ 80 para um passeio de 1h30 que não inclui nada além do transporte. Ao redor, o lago artificial formado pela usina é até grandioso, mas a paisagem é bem repetitiva, e depois de 30 minutos você já está entendiado. No nosso caso, ainda contamos com o azar de estar nublado. Não teve pôr do sol, nem palmas.

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Ana Reyes
Ana Reyes

Carioca, vive equilibrada entre o trabalho em São Paulo e a vida no Rio. Workaholic ansiosa pelo próximo destino de férias, busca conciliar o medo de avião com a vontade de ir sempre mais longe. Descobriu no marido, capixaba, o parceiro ideal com quem quer conhecer o mundo. Jornalista e professora de História, gosta de flanar por grandes cidades e experimentar o cotidiano de cada lugar.

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